terça-feira, 2 de abril de 2013

A PROVIDÊNCIA DIVINA E O DEVER DO MOMENTO PRESENTE (II)






O ENSINAMENTO DAS ESCRITURAS E DA TEOLOGIA SOBRE O DEVER DO MOMENTO PRESENTE.

São Paulo escreveu na I Epístola aos Coríntios, X, 31: “Ou comais ou bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. — Também em Colossenses, III, 17: “Tudo o que fizerdes, em palavras ou por obras, (fazei) tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando por ele graças a Deus Pai”.

Nosso Senhor disse, como conta São Mateus, XII, 34: “A boca fala da abundância do coração. O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração; e o mau tira coisas más do mau tesouro. Ora, eu digo-vos que, de qualquer palavra ociosa que disseram, os homens darão conta no dia do Juízo”.

Santo Tomás mostra todo o sentido e o alcance desta doutrina quando ensina (Ia IIae, q. 18, a. 9) que não há ato deliberado que, concretamente considerado, “hic e nunc”, seja moralmente indiferente; cada um de nossos atos deliberados é ou bom ou mau. Por quê? Porque todo ato deliberado de um ser inteligente deve ser racional ou ordenado a um fim bom, bom em si mesmo; e todo ato deliberado de um cristão deve ser ordenado, ao menos virtualmente, a Deus. Se for assim, será um ato bom; se não for assim, será um ato mau. Não há meio termo. Mesmo nossas recreações, nossos divertimentos, nossos passeios devem ter um fim bom em si. É verdade que ir passear, considerado abstratamente, é indiferente. Também pode ser indiferente ir passear aqui ou ali, mas o passeio deve ter um fim racional, como por exemplo, o de reparar nossas forças, para retomarmos depois o trabalho que devemos realizar. Por isso mesmo, os divertimentos têm um sentido moral e um valor próprio na vida do ser racional.

Como diria de modo simbólico um bom pregador, todos os nossos atos deliberados são como as gotas de chuva que caem do alto da montanha, na linha divisória das águas; destas gotas de chuva, algumas irão para um rio e um oceano; as outras, para outro rio e outro mar, oposto e distante. Assim também nossos atos vão para o bem, isto é para Deus ou para o mal. Nenhum desses atos, tomados na realidade concreta da vida, é indiferente.

À primeira vista, esta doutrina parece muito rígida. Mas não é: basta uma intenção virtual ou implícita, renovada pela manhã no momento da oração, e também cada vez que o Espírito Santo nos faz elevar nossos corações para Deus.

Esta é, muito pelo contrário, uma doutrina consoladora, pois, segue-se daí, que na vida do justo, todo ato deliberado é bom e meritório, seja fácil ou difícil, pequeno ou grande.

Esta doutrina é também santificante se a entendermos bem e a vivemos, pois nos leva a pensar que o que Deus faz a cada momento é bem feito e cada acontecimento é um sinal de sua vontade. Assim Jó, privado de tudo, via nessa privação uma vontade de Deus que o provava para o santificar e em vez de maldizer aquele minuto tão penoso, bendizia o nome do Senhor. Aprendamos pois a reconhecer, no que acontece a cada momento, seja uma vontade positiva de Deus, seja uma permissão divina, sempre ordenada a um bem superior. Assim, aconteça o que acontecer, sempre guardaremos a paz.

São Francisco de Sales resumiu toda esta doutrina nestas poucas palavras: “Cada momento que chega até nós encerra em si uma ordem de Deus, e irá mergulhar na eternidade, permanecendo para sempre aquilo que dele fizemos”.

Este reconhecimento quase constante da vontade divina, discernida do dever do momento presente, decorre sobretudo do dom da Sabedoria que faz ver em Deus, causa primeira e fim último, todos os acontecimentos, tanto os penosos quanto os agradáveis. É por isto que Santo Agostinho diz que a esse dom corresponde a bem-aventurança dos pacíficos, quer dizer, daqueles que conservam a paz onde os outros se perturbam e que muitas vezes levam a paz aos mais perturbados: “Beati pacifici, quia filii Dei vocabuntur

A PROVIDÊNCIA DIVINA E O DEVER DO MOMENTO PRESENTE (I)






R. Garrigou-Lagrange, O.P.

“Omne quadcumque facietis in verbo aut in opere, omnia in nomine Domini facite”
Tudo o que fizerdes, em palavras ou por obras, (fazei) tudo em nome do Senhor” (Cl 3, 17).

Para melhor compreender como devemos viver o dia a dia, com confiança em Deus, com abandono, é preciso estarmos atentos ao dever do momento presente e à graça que nos é oferecida para realiza-la. Falaremos primeiramente do dever que se apresenta a cada minuto, tal como os santos o compreenderam, e esclareceremos depois a conduta destes santos pelo ensinamento da Escritura e da teologia, ensino que se dirige a todos nós.

O DEVER DO MOMENTO PRESENTE TAL COMO OS SANTOS O COMPREENDERAM E A LUZ QUE ELE ENCERRA.

O dever de cada instante, debaixo de aparências muitas vezes insignificantes, é expressão da vontade de Deus a nosso respeito e a respeito de nossa vida individual. A Virgem Maria viveu assim na união divina, realizando no dia a dia a vontade de Deus pelo dever quotidiano de sua vida muito simples que, na aparência, era como a vida de todas as pessoas de sua condição. Assim viveram todos os santos, fazendo a vontade de Deus tal como se manifesta a cada hora, sem se deixar desconcertar por contrariedades imprevistas. O segredo dos santos era o de tornar-se, a cada instante, aquilo que a ação divina queria fazer deles. Viam tudo o que tinham para fazer e para sofrer, todos os seus deveres e todas as suas cruzes na vontade de Deus. Estavam persuadidos de que os acontecimentos do presente são sinais da vontade ou da permissão de Deus, para o bem daqueles que O procuram. A própria visão do mal, exercitando a sua paciência, lhes mostrava, por contraste, o que deviam fazer para evitar o pecado e suas funestas conseqüências. Os santos viam assim na seqüência de acontecimentos, um ensinamento providencial e acreditavam que ao lado e acima da continuidade de fatos exteriores de nossa vida, há como que uma seqüência paralela de graças atuais, que nos são constantemente oferecidas para fazer-nos tirar destes acontecimentos, agradáveis ou penosos, o melhor proveito espiritual. A continuidade dos acontecimentos, se soubermos bem considerá-la, contém lições de coisas de Deus, são como que um prolongamento da revelação ou o Evangelho aplicado, até o fim dos tempos.

Em quase todos os domínios distingue-se o ensinamento teórico e abstrato do ensinamento aplicado e prático; O mesmo acontece na ordem das coisas espirituais. O Senhor aí nos dá, a seu modo, esses dois ensinamentos: um no Evangelho, o outro no curso da vida.

Esta grande verdade vital, é geralmente desprezada. Quando chegam as contrariedades e revezes, somos todos queixas e murmúrios. Tal doença aparece logo quando mais tínhamos o que fazer; tal coisa nos falta; tiram-nos os meios necessários, botam obstáculos intransponíveis ao bem que devíamos realizar, ao apostolado que devíamos exercer.

Os santos em tais circunstâncias, e mesmo em outras bem mais penosas, dizem: Fazer cada dia a vontade de Deus é, no fundo, a única coisa necessária. O Senhor não ordena jamais o impossível, mas há um dever que, a cada momento, ele torna realmente possível para cada um de nós, para cuja realização ele pede nosso amor e nossa generosidade.

Se tal acontecimento doloroso é conseqüência de nossas faltas será uma lição providencial, que devemos receber com humildade para dela tirar proveito. Se, sem falta de nossa parte, o Senhor permite que sejamos privados de certos bens, é porque não são verdadeiramente necessários à nossa santificação e à nossa salvação. Os santos acham que, em certo sentido, nada lhes falta a não ser um maior amor de Deus. Se soubéssemos o que são os acontecimentos que chamamos obstáculos, contrariedades, revezes, contratempos, infortúnios, fracassos, lastimaríamos a desordem que pode existir em tais coisas (e os santos a lastimaram mais do que nós e por causa dela sofreriam mais do que nós) mas nos repreenderíamos a nós mesmos por nossos murmúrios, e seríamos mais atentos ao bem superior que Deus busca em tudo o que ele quer e até em suas permissões divinas. [1]

A Escritura diz em diversos lugares: O Senhor é quem tira a vida e a dá, leva à habitação dos mortos e trás de volta. [2]

Quanto mais a ação divina faz morrer para o pecado e suas conseqüências, mais separa de tudo o que não é Deus, mais ela vivifica. Alguém disse que a graça é, às vezes, um carrasco, e no entanto, na obra que perfaz em nós, longe de destruir a natureza naquilo que ela tem de bom, a aperfeiçoa, a restaura e a eleva. Dela pode-se dizer o que se diz de Deus: mortifica e vivifica.

Como diz o Padre de Caussade [3], explicando essas vias de Providência: “Quanto mais obscuro é o mistério mais luz contém” pois sua obscuridade vem de uma luz intensa demais para nossos olhos.

Além disso, o que melhor nos ensina é o que acontece conosco em particular a cada momento, segundo o que quis ou permitiu a Providência divina. É aí que encontramos a manifestação da vontade divina que nos diz respeito, para o momento presente. E é aí que se forma em nós o conhecimento experimental da conduta de Deus em relação a nós, conhecimento sem o qual não saberemos nos dirigir nas coisas espirituais, nem fazer aos outros um bem profundo. [4]

Na ordem das coisas espirituais, sobretudo, só sabemos bem aquilo que a experiência nos ensina pelo sofrimento ou pela ação. Nosso Senhor, que tinha sua santa alma, desde o primeiro instante de sua vinda a este mundo, a visão beatífica e a ciência infusa, quis ter também o conhecimento experimental que se adquire no dia a dia, e que faz ver as coisas, mesmo as infalivelmente previstas, sob um aspecto especial, dado pelo contato com o real. Prevemos que um amigo querido, muito doente, vai morrer, mas sua morte contém, se soubermos abrir os olhos, um ensinamento novo para nós, pelo qual Deus nos fala de algum modo à medida que o tempo passa. Esta é a escola do Espírito Santo, estas são suas lições de coisas, que nada tem de livrescas; e elas variam para cada alma; o que é útil para esta não o será para outra. Sem querer ver, superticiosamente, um sentido lógico em puras coincidências sem importância, escutemos com simplicidade o que a Providência nos diz em particular, nas lições de coisas que nos dá. É preciso não materializar ou mecanizar esta doutrina; trata-se de um espírito sobrenatural a ser levado em conta na consideração de todas as coisas, sem constrangimento, sem tola presunção.

Como diz o autor [5] que acabamos de citar: “A revelação do momento presente é uma fonte de santidade, sempre a jorrar... Vós que tendes sede, sabei que não é preciso buscar longe a fonte da água viva: ela jorra perto de vós, no momento presente, apressai-vos a chegar lá.

Porque tendo a fonte tão próxima, vos fatigais a correr atrás dos riachos?... O amor desconhecido! Parece que vossas maravilhas se acabaram e que só se pode copiar vossas obras antigas, citar vossos discursos passados. Não se percebe que vossa ação inesgotável, é uma fonte infinita de novos pensamentos, de novos sofrimentos, de novas ações... de novos santos...” O Coração de Jesus é uma “fornalha de graças sempre novas”.

Os santos de cada época não têm necessidade de copiar a vida nem os escritos daqueles que os precederam, mas sim de viver em perpétuo abandono aos segredos e inspirações de Deus; nisto é que imitam todos os que os antecederam, apesar da diversidade das circunstâncias de cada época e de cada vida individual.

O momento presente, se soubéssemos ver nele a luz divina que contém, nos lembraria de que tudo pode ser meio, instrumento ou ao menos ocasião de progresso espiritual no amor de Deus a modo de provação ou de contraste. O momento presente, segundo a ordem querida pela Providência divina, tem relação com nosso fim último, com o único necessário: assim, cada instante do tempo que se escoa tem relação com o instante único da imobilidade eterna.

Se soubéssemos ver, não seria apenas a hora da missa, a hora da oração ou da visita ao Santíssimo Sacramento que seria santificadora para nós, mas todas as horas do dia ganhariam seu sentido sobrenatural e nos lembrariam que estamos a caminho da eternidade. Daí a boa prática de abençoar a hora que começa, ou pedir para ela a benção divina. Devemos estar, a cada instante, na situação disposta por Deus: não há momento do dia em que não tenhamos algum dever a cumprir, dever em relação a Deus ou em relação ao próximo, dever ao menos de paciência, quando a ação exterior não é possível. A cada minuto devemos santificar o nome de Deus, como se não tivéssemos outra coisa a esperar no tempo; como se, no instante seguinte, devêssemos entrar na eternidade.

Assim viveram os verdadeiros cristãos entre aqueles que, durante a última guerra, estavam expostos aos tiros de artilharia, que recomeçava a intervalos de três minutos; “Em um instante pode ser a morte” diziam, e viviam o minuto presente em sua relação com a eternidade.

Assim viveram os santos. Não apenas nas circunstâncias excepcionais mas no curso normal de suas vidas, não perdiam, por assim dizer, a presença de Deus. Ora, sua conduta se torna compreensível em razão dos princípios do Evangelho, que se dirigem tanto a eles como a nós.

Cont.

A VIA DA INFÂNCIA ESPIRITUAL-Garrigou-Lagrange, O.P.



Nosso Senhor diz aos seus Apóstolos: Se vos não converterdes e vos não tornardes como meninos, não entrareis no reino dos céus. São Paulo acrescenta: o Espírito Santo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus, e nos aconselha freqüentemente uma grande docilidade ao Espírito Santo. Esta docilidade se encontra particularmente na via da infância espiritual, recomendada por muitos santos e, ultimamente, por Santa Teresa do Menino Jesus. Esta via, tão fácil e proveitosa para a vida interior, é muito pouco conhecida e seguida.
 
Por que pouco seguida? Porque muitos imaginam erroneamente que esta é uma via especial, reservada às almas que se conservaram completamente puras e inocentes; e outros, quando lhes falamos desta via, pensam em uma virtude pueril, uma espécie de infantilidade, que não poderia lhes convir. Estas idéias são falsas. A via da infância espiritual não é nem uma via especial nem uma via de puerilidade. A prova é que foi Nosso Senhor, ele mesmo, quem a recomendou a todos, mesmo àqueles responsáveis pelas almas, como os Apóstolos formados por Ele.
 
* * *
 
Para se ter uma visão de conjunto da via da infância espiritual, é preciso de início notar suas semelhanças e, em seguida, suas diferenças com a infância corporal.
 
As semelhanças são patentes. Quais as qualidades inatas das crianças? Em geral, elas são simples, sem nenhuma duplicidade, são ingênuas, cândidas, não representam, mostram-se tais como são. Ademais, têm consciência de sua deficiência, pois precisam receber tudo de seus pais, o que as dispõe à humildade. São levadas a crer simplesmente em tudo o que dizem as suas mães, a depositar uma confiança absoluta nelas, e a amá-las de todo seu coração, sem cálculo.
 
Quais as diferenças entre a infância ordinária e a infância espiritual? — A primeira diferença é notada por São Paulo: Não sejais meninos na compreensão, mas sede pequeninos na malícia. A infância espiritual se distingue da outra pela maturidade do julgamento e de um julgamento sobrenatural inspirado por Deus.
 
Uma segunda grande diferença é indicada por São Francisco de Sales: na ordem natural, quanto mais o filho cresce, mais ele tem de se tornar auto-suficiente, pois um dia seu pai e sua mãe lhe faltarão. Ao contrário, na ordem da graça, quanto mais o filho de Deus cresce, mais ele compreende que não poderá jamais se bastar e que dependerá sempre intimamente de Deus. Quanto mais ele cresce, mais ele deve viver da inspiração especial do Espírito Santo, que vem suprir por seus dons a imperfeição de nossas virtudes, de modo que, no fim, o filho de Deus torna-se mais passivo sob a ação divina do que entregue à sua atividade pessoal e no fim entra no seio do Pai, onde encontrará a beatitude por toda a eternidade.
 
Os moços e as moças, quando chegam à idade adulta, deixam seus pais para viverem suas vidas; mais tarde, o homem de quarenta anos vem com bastante freqüência visitar sua mãe, mas ele não depende dela como antes; é ele agora que a sustenta. Ao contrário, o filho de Deus, ao crescer, se é fiel, torna-se mais e mais dependente de seu Pai, até que nada faça sem ele, sem suas inspirações ou seus conselhos. Então, toda a sua vida é banhada pela oração; é a melhor parte que não lhe será tirada. Santa Teresinha de Lisieux o compreendeu assim. Ela, após ter atravessado a noite do espírito, chegou desse modo à união transcendental nela.
 
Tais são as características gerais da infância espiritual: suas semelhanças e suas diferenças com a infância corporal.
 
* * *
 
Vejamos agora as principais virtudes que se manifestam nela.
 
De início, a SIMPLICIDADE, a ausência total de duplicidade. Por que? ... porque o olhar desta alma não procura senão a Deus e vai direito a ele. Assim, verifica-se aquilo que é dito no Evangelho: O teu olho é a lucerna do teu corpo. Se teu olho for simples todo teu corpo será luz. Mas, se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará em trevas [8]. Do mesmo modo, se a intenção de tua alma é simples e direta, pura e sem duplicidade, toda a tua vida será iluminada como o rosto de uma criança.
 
Então, a alma simples, que tudo sempre considera com relação a Deus, acaba por vê-lo nas pessoas e eventos; em tudo o que acontece, ela vê aquilo que é desejado por Deus, ou, ao menos, que é permitido por ele para um bem superior.
 
HUMILDADE. Ao seguir esta via, a alma torna-se humilde. A criança tem consciência de sua deficiência, ela depende de sua mãe para tudo, e pede constantemente sua ajuda, ou se refugia perto dela à menor ameaça.
 
Do mesmo modo, o filho de Deus sente que, deixado a si mesmo, ele não é nada; ele se lembra com freqüência das palavras de Jesus: Sem mim, não há nada que possais fazer. E assim, ele tem uma necessidade instintiva de se esquecer de si mesmo, de depender de Nosso Senhor, de se abandonar a Ele. A alma cessa de se estimar de modo vão, de querer ocupar um lugar no espírito dos outros; ela desvia seu olhar de si mesma.
 
Por causa disso, ela combate muito eficazmente o amor próprio. E, com o sentimento de sua deficiência, ela experimenta a necessidade de se apoiar constantemente em Nosso Senhor e de ser em tudo guiada e dirigida por ele. Ela se lança em seus braços, como a criança nos braços de sua mãe. Por isso, o espírito de oração se desenvolve muito nela.
 
FÉ. Assim como o filho crê sem hesitar e firmemente em tudo o que sua mãe lhe diz, o filho de Deus, acima de todo raciocínio, de todo exame, baseia-se totalmente na palavra de Nosso Senhor. “Jesus o disse”, seja por si mesmo, seja por sua Igreja, isto é suficiente para que ele não tenha nenhuma dúvida em seu espírito.
 
Que se segue? Assim como a mãe fica feliz em poder instruir seu filho, tanto mais quanto ele se mostrar atento, Nosso Senhor se compraz em manifestar a profunda simplicidade dos mistérios da fé aos humildes que o escutam. Ele dizia: Eu te dou graças, ó Pai, por ter escondido estas coisas dos prudentes e dos sábios e de as ter revelado aos pequenos. A fé dessa alma torna-se então penetrante, saborosa, contemplativa, radiante, prática, fonte de mil conselhos excelentes. O espírito da fé leva a ver os mistérios revelados, as pessoas, os fatos como Deus os vê; vê-se Deus em tudo.
 
Mesmo que o Senhor permita a noite escura, a alma a atravessa segurando sua mão, como o filho segura a mão de sua mãe, que a protege.
 
A CONFIANÇA torna-se, desde então, mais e mais firme, inteira. Por que? ... porque ela repousa no amor de Deus por nós, em suas promessas, nos méritos infinitos de Nosso Senhor.

Como a criança está segura de sua mãe, porque se sabe amada por ela, a alma de que falamos está segura de Deus. Ela não pode duvidar de sua fidelidade em manter suas promessas: pedi e recebereis. Ela não se baseia em seus próprios méritos, em sua sorte pessoal, mas nos méritos infinitos do Salvador, que são para ela; do mesmo modo, os bens do pai são para seus filhos que ainda não possuem bens pessoais.
 
A fragilidade a desencoraja? De modo algum. O filho não se desencoraja por causa de sua deficiência. Ao contrário, ele sabe que é por causa de sua impotência que sua mãe está sempre pronta para protegê-lo. Do mesmo modo, Nosso Senhor sempre protege os pequenos e os pobres que se fiam nele. O Espírito Santo, que ele nos enviou, é chamado “Pater pauperum”.

Esta alma não confia senão em Deus, em Nosso Senhor e na Virgem, e naqueles que vivem de Deus, como a criança não confia senão em sua mãe e naquelas pessoas a quem sua própria mãe o confia por um momento.
 
É uma confiança total, mesmo nas horas mais graves. Nós nos lembramos então do que dizia santa Teresinha: “Senhor, vós a tudo vedes, tudo podeis, e vós me amais”.

O único temor desta alma é o de não amar o bastante a Nosso Senhor, de não se abandonar totalmente a Ele.

A CARIDADE é o amor de Deus por ele mesmo, e das almas em Deus, para que elas o glorifiquem no tempo e na eternidade.

A criança pequena ama sua mãe de todo seu coração, mais que os carinhos que recebe dela; ela vive de sua mãe.

Do mesmo modo, o filho de Deus vive de Deus e o ama por si mesmo, por causa das infinitas perfeições que nele transbordam. O que este filho de Deus ama, não é a sua própria perfeição, mas o próprio Deus, sobre o qual ele se apóia.
 
A este amor ele refere tudo, é um amor delicado, simples, que inspira a piedade filial e uma grande caridade pelo próximo, na medida em que este é amado por Deus e chamado a o glorificar eternamente.

O filho de Deus, porém, é tão prudente como simples: simples com Deus e as almas de Deus, ele está sob a inspiração do dom de conselho e é prudente com aqueles em quem não podemos ter confiança.

Ele é deficiente, mas é do mesmo modo forte, pelo dom de fortaleza que se manifestou nos mártires, e até nas jovens virgens e nos velhos.

Um modelo impressionante de infância espiritual se encontra em uma alma santa, que atingiu, em meio das maiores dificuldades, uma grande intimidade com Nosso Senhor; a Venerável Madre Marie-Thérèse de Soubiran, fundadora da Sociedade de Maria Auxiliadora. Sua vida admirável nos mostra a enorme superioridade da vida sobrenatural plenamente abandonada a Nosso Senhor, acima da atividade natural das pessoas melhor dotadas e mais enérgicas, que se apóiam sobre elas mesmas, que se esquecem de pedir a benção de Deus.

Sua vida é um comentário das palavras do Salvador: Eu te dou graças, ó Pai, por ter escondido estas coisas dos prudentes e dos sábios e de as ter revelado aos pequenos.
(Publicado em La vie spirituelle no. 302, dez. 1945. Tradução: PERMANÊNCIA)

5 provas da existência de Deus segundo São Tomás de Aquino




Provas da existência de Deus. Os cinco argumentos que para Tomás de Aquino demonstram a existência de Deus são:

(1) O "primeiro motor imóvel": o movimento existe, é evidente aos nossos sentidos. Ora, tudo aquilo que se move é movido por outra força, ou motor. Não é lógico que haja um motor, outro e outro, e assim indefinidamente; há de haver uma origem primeira do fenômeno do movimento, um motor que move sem ser movido, que seria Deus.

(2) A "causa primeira": toda causa é efeito de outra, mas é necessário que haja uma primeira, causa não causada, que seria Deus.

(3) O "ser necessário": todos os seres são finitos e contingentes ("são e deixam de ser"). Se tudo fosse assim, todos os seres deixariam de ser e, em determinado momento, nada existiria. Isto é absurdo; logo, a existência dos seres contingentes implica o ser necessário, ou Deus.

(4) O "ser perfeitíssimo": os seres finitos realizam todos determinados graus de perfeição, mas nenhum é a perfeição absoluta; logo, há um ser sumamente perfeito, causa de todas as perfeições, que seria Deus.

(5) A "inteligência ordenadora": todos os seres tendem para uma finalidade, não em virtude do acaso, mas segundo uma inteligência que os dirige. Logo, há um ser inteligente que ordena a natureza e a encaminha para seu fim; esse ser inteligente seria Deus.

O Esplendor do Catolicismo


 



Estes dois videos que postei aqui vem mostrar o quanto a Santa Madre Igreja perdeu nestes ultimos 40 anos,desde que o concilio vaticano II a jogou por terra.